Do pré-conceito à mendicância
Ah, o cliente… se o NatGeo resolvesse fazer um documentário sobre clientes…
Enquanto não faz… bom, tenho dois tipos de cliente: o eu-cliente e o meu-cliente.
• o eu-cliente recebe tratamento de inepto: é tomado por ignorante, recebe as desculpas mais esfarrapadas, e algumas pseudo-inteligentes, sendo o segundo tipo, facilmente derrubada.
Explico: tentando (essa é a palavra certa, tentando) utilizar um serviço de e-mail que não funciona direito há 4 dias, fui tratado como alguém que nunca tinha visto um mouse na frente: perguntas toscas, explicações sem sentido, e um atendimento extremamente lento. Acho que peguei uma séria alergia ao termo “um momento, por favor*”
• o meu-cliente, por outro lado, considera que todas as pessoas são lentas de raciocÃnio; ou isso, ou noção de realidade é um conceito que não alcança o meu-cliente.
O uso de frases, por parte do meu-cliente, como “isso é facil e/ou rápido”, “você faz isso rapidinho” e ainda “isso é mole”, o leva a colocar nós, designers, como digitadores (sem ofender ninguém, por favor); não só pela banalização do que fazemos, mas também como desculpa para pagar uma miséria pelo nosso trabalho.
Claro, ninguém é obrigado a prostituir o próprio trabalho (pelo menos ninguém em sã consciência, que gastou grana e tempo de vida estudando. Há exceções, claro), mas convenhamos que é um desrespeito.
* tradução livre: senta aà que eu vou tomar um café pra demonstrar o quanto me importo, já que meu salário independe da qualidade do serviço oferecido.
